Seus olhos negros,
dizendo bom dia.
Os lençóis mudos,
como se estivessem envergonhados,
como se existisse pecados,
nesse quarto frio e úmido.
Ainda lembro das palavras,
do seu olhar fixo e pessimista.
Hoje, com a sua carne na minha,
lembro da sua teoria, de pessoas e mares.
De navegar em oceanos.
Lembro das frases todas,
de como é terrível perceber,
que com tantas embarcações
quase sempre nos deparamos sozinhos,
em pequenos botes, num mar imenso.
à deriva, à deriva, Amor.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
2008
Eu já tô chapado e já escrevi em algum lugar algo sobre mar de anfetamina. Nem sei.Já dá pra saber o que se passa por aqui. São os discos que escolhi. Nessa noite que eu disse qual o ritmo da música. Mas nem sei.
Juro.
Quem diz mesmo o toque dessa valsa, não sei.
E é Dele esse manejo.
Os dias não são meus.
[isso é certo.]
Os dias não são meus!
Juro.
Quem diz mesmo o toque dessa valsa, não sei.
E é Dele esse manejo.
Os dias não são meus.
[isso é certo.]
Os dias não são meus!
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
O eterno retorno
Eu volto aos traços,
aos riscos, ligeiros
e outros precisos.
Quem vê pensa que é aleatório.
Rabisco.
Eu lanço um riso,
como quem diz "não seja medíocre".
E cada dia mais eu penso,
que não é retorno,
é o meu lugar mesmo.
Isso soa rude.
Ditatorial.
E isso fode,
fode as minhas idéias.
Que seja em todos os lugares.
Que eu seja todos os lugares.
Porém eu sinto,
que é com esses traços
que eu sou pleno
aos riscos, ligeiros
e outros precisos.
Quem vê pensa que é aleatório.
Rabisco.
Eu lanço um riso,
como quem diz "não seja medíocre".
E cada dia mais eu penso,
que não é retorno,
é o meu lugar mesmo.
Isso soa rude.
Ditatorial.
E isso fode,
fode as minhas idéias.
Que seja em todos os lugares.
Que eu seja todos os lugares.
Porém eu sinto,
que é com esses traços
que eu sou pleno
sábado, 6 de dezembro de 2008
"A velha rasgada e a nova esquecida"
Ainda dói a cabeça.
O pensamento vai lento.
Coisa de quem queimou neurônios.
Tanto gosto na boca,
não bastou um sono grande.
Ainda pecado nas unhas.
Boca de morena,
suor de noite inteira
e agora corpo devastado.
Eu não ouço
e nem quero.
Ela diz algo no ouvido.
Todos dizem algo.
A morena na noite,
até Deus tem seus modos.
Uma valsa estranha,
de corpos pulando,
rangido.
Ranger.
De dente.
De desespero.
Ainda na boca o gosto de tantos pecados.
O pensamento vai lento.
Coisa de quem queimou neurônios.
Tanto gosto na boca,
não bastou um sono grande.
Ainda pecado nas unhas.
Boca de morena,
suor de noite inteira
e agora corpo devastado.
Eu não ouço
e nem quero.
Ela diz algo no ouvido.
Todos dizem algo.
A morena na noite,
até Deus tem seus modos.
Uma valsa estranha,
de corpos pulando,
rangido.
Ranger.
De dente.
De desespero.
Ainda na boca o gosto de tantos pecados.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Feriado!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Se fez o instante,
e sem demora eu dei um tiro.
Vaguei pela cidade,
como um guia turístico,
mas quem guiava eram os cantos.
Os velhos cantos que passei,
eles que se mostravam na minha mente.
Eles gritavam e diziam todos os pecados,
que com pressa eu escondi neles
Apontavam os instantes,
esmurravam as memórias...
Os gostos, os aromas.
os risos e os cantos tristes se mostraram...
Ao menos sobrou um riso,
ao algo parecido.
e sem demora eu dei um tiro.
Vaguei pela cidade,
como um guia turístico,
mas quem guiava eram os cantos.
Os velhos cantos que passei,
eles que se mostravam na minha mente.
Eles gritavam e diziam todos os pecados,
que com pressa eu escondi neles
Apontavam os instantes,
esmurravam as memórias...
Os gostos, os aromas.
os risos e os cantos tristes se mostraram...
Ao menos sobrou um riso,
ao algo parecido.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
As visões distorcidas
Parece que estou embriagado
"E ficar embriagado é uma sensação boa nessa idade, dá pra sentir os músculos relaxados e parece que podemos sentir a brisa que o Tempo deixa ao passar!"
E assim me deu vontade de escrever, não que eu esteja embriagado, mas deu vontade. Sinto sim, aquela coisa meio ressaca nervosa. A cabeça prestes a estourar, os músculos respondem como se tivesse acabado de correr a São Silvestre e os ossos dizem que não suportam mais. É, gripe das brabas, como sempre ocorre no fim do ano. O nariz não dá trégua e meu chefe me olha dizendo que se continuar usando tanto papel ele irá descontar do meu salário os rolos que somem do banheiro.
E se fez assim a semana, meu computador pifou, já peguei todo tipo de chuva, já deixei no varal dinheiro e papéis da minha mochila... O chip do celular não dá sinais de vida... Meu cliente não paga tudo que deve pelo serviço... É a coisa anda estranha...
Acho que vou reservar uma garrafa de um bom vinho e ficar chapado hoje, pra comemorar mesmo, muito minha cara essas coisas. Não ligo pra esses dias de tempestades, ainda guardo um riso pra me encontrar e ai sim, ficar embriagado.
Muitas fichas em minha mesa, muitos e-mails pra se responder, trabalhos da faculdade pra se fazer, uma vida pra se ajeitar, ou quem sabe e nem todo errado dizer, algumas meias vidas pra se ajeitarem...
Preciso de umas férias, na verdade só de coisas que me fazem bem, e assim eu lembro do Renato, o Russo, com aquela coisa "ia pra festa de Rock pra se libertar". Não, não gosto do Renato, mas acho mesmo que preciso me libertar, e sei dos meus métodos pra isso.
Fim de semana vem dando as caras, é quinta-feira e por excelência às quintas já são da esbórnia.
Bom, eu tô debilitado pra sair numa quinta-feira sem nome, sem cuidado... E já toca o telefone lembrando que tenho que trabalhar!
E assim me deu vontade de escrever, não que eu esteja embriagado, mas deu vontade. Sinto sim, aquela coisa meio ressaca nervosa. A cabeça prestes a estourar, os músculos respondem como se tivesse acabado de correr a São Silvestre e os ossos dizem que não suportam mais. É, gripe das brabas, como sempre ocorre no fim do ano. O nariz não dá trégua e meu chefe me olha dizendo que se continuar usando tanto papel ele irá descontar do meu salário os rolos que somem do banheiro.
E se fez assim a semana, meu computador pifou, já peguei todo tipo de chuva, já deixei no varal dinheiro e papéis da minha mochila... O chip do celular não dá sinais de vida... Meu cliente não paga tudo que deve pelo serviço... É a coisa anda estranha...
Acho que vou reservar uma garrafa de um bom vinho e ficar chapado hoje, pra comemorar mesmo, muito minha cara essas coisas. Não ligo pra esses dias de tempestades, ainda guardo um riso pra me encontrar e ai sim, ficar embriagado.
Muitas fichas em minha mesa, muitos e-mails pra se responder, trabalhos da faculdade pra se fazer, uma vida pra se ajeitar, ou quem sabe e nem todo errado dizer, algumas meias vidas pra se ajeitarem...
Preciso de umas férias, na verdade só de coisas que me fazem bem, e assim eu lembro do Renato, o Russo, com aquela coisa "ia pra festa de Rock pra se libertar". Não, não gosto do Renato, mas acho mesmo que preciso me libertar, e sei dos meus métodos pra isso.
Fim de semana vem dando as caras, é quinta-feira e por excelência às quintas já são da esbórnia.
Bom, eu tô debilitado pra sair numa quinta-feira sem nome, sem cuidado... E já toca o telefone lembrando que tenho que trabalhar!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Após meses consegui ter paz. Daquelas que se pode sentar e ler um livro sem pressa, manter atenção nas páginas e ficar por um bom tempo na cadeira, confortável.
Mais linhas, mais páginas. Vou leve tocando as folhas e virando cada uma delas com cuidado, examinado todas elas eu percebo um silêncio que já não dói, que já não mais me incomoda e deixo assim a minha atenção pra essas palavras.
Nada mais, nem ninguém.
Eu fico contente, afinal é paz. É como comer quando se tem muita fome. E tranquilo, não tenho as aventuras que os momentos adversos podem proporcionar, mas é paz e é como comer quando se tem muita fome.
Paz, como eu queria.
Os sonhos continuam fortes, as vezes eu me renovo no lençol de tanto suar, mas os dias são tranquilos e o relógio não me assusta!
Eu fecho o livro, sinto uma certa alegria de criança, que recebe um troféu de qualquer coisa.
As vezes nós demoramos demais pra entermos as coisas e tempo não nos espera. Ao menos restou algo pra contar.
Mais linhas, mais páginas. Vou leve tocando as folhas e virando cada uma delas com cuidado, examinado todas elas eu percebo um silêncio que já não dói, que já não mais me incomoda e deixo assim a minha atenção pra essas palavras.
Nada mais, nem ninguém.
Eu fico contente, afinal é paz. É como comer quando se tem muita fome. E tranquilo, não tenho as aventuras que os momentos adversos podem proporcionar, mas é paz e é como comer quando se tem muita fome.
Paz, como eu queria.
Os sonhos continuam fortes, as vezes eu me renovo no lençol de tanto suar, mas os dias são tranquilos e o relógio não me assusta!
Eu fecho o livro, sinto uma certa alegria de criança, que recebe um troféu de qualquer coisa.
As vezes nós demoramos demais pra entermos as coisas e tempo não nos espera. Ao menos restou algo pra contar.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Acordei às 3 da manhã, daqueles sonhos estranhos.
Sonhos, tive um monte deles a pouco.
Eu acordei deles na verdade.
E tem sonhos que me incomodam,
eu sonho com lugares que nunca fui
e com frequência eu estou neles.
Em variadas situações,
com pessoas diferentes,
fazendo coisas diferentes.
Eu sonho com lugares que nunca estive.
Acordei de um desses sonhos.
Um lugar que sonho desde que era mais moço.
Isso me incomoda.
E deixa uma sensação estranha ao voltar ao sono.
Eu posso fazer uma lista de lugares,
que nunca estive,
mas sempre apareço nos meus sonhos.
"Com frequência eu apareço em lugares que nunca estive"
Eu acordei deles na verdade.
E tem sonhos que me incomodam,
eu sonho com lugares que nunca fui
e com frequência eu estou neles.
Em variadas situações,
com pessoas diferentes,
fazendo coisas diferentes.
Eu sonho com lugares que nunca estive.
Acordei de um desses sonhos.
Um lugar que sonho desde que era mais moço.
Isso me incomoda.
E deixa uma sensação estranha ao voltar ao sono.
Eu posso fazer uma lista de lugares,
que nunca estive,
mas sempre apareço nos meus sonhos.
"Com frequência eu apareço em lugares que nunca estive"
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Segunda-feira
Parece que nem teve sono, nem teve descanso.O relógio toca e se põe a fazer mesma coisa.
O banho, o café da manhã, o escovar dentes e o sair acelerado.
Pior de tudo, que ele sabe, ele sente esse gosto de repetição.
Tudo igual, todo dia, toda semana.
Um ciclo estranho.
Lá fora a divergência, a cidade negra.
A fumaça cobrindo todos.
Gente sem dente, sem banho e muita maquiagem.
Lá fora, as pessoas correndo.
Correndo nos seus mundos ou fugindo deles.
Ninguém diz bom dia e somem na trilha sonora.
Motor e sirene dão seus urras,
é só mais uma segunda-feira.
É só o gosto de repetição.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Nem mais a minha imagem

Após horas de pensamentos,
ficou a TV sem sinal,
só ruído.
Dei conta que nem mais a minha imagem restou.
Dei conta que tanto se perdeu,
e deixei até o que me pertencia ir embora.
Ai eu chego mais perto,
nem a silhueta, nem uma sombra,
nem isso pra mim ficou.
Acabou a valsa,
e não contente deixei ir embora
a minha parcela.
Tiro tudo da tomada,
começo denovo.
De outro jeito e dessa vez vai ser com o espelho.
nem mais banho de teorias,
esqueça de reencontrar o que se perdeu.
É só mesmo um recomeço.
domingo, 26 de outubro de 2008
Mais um Domingo...
Ah! Humor, bem que você podia não ser essa variável tão instável. Brusca. Põe e tira o riso com tamanha destreza.
Ainda bem que tem os domingos de dias ensolarados, ainda que tem as pessoas que guardam nossos passos com carinho. Se teve o domingo acuado no quarto, mergulhado no passado, tem o domingo em que vem gente, assim, que sabe cada traço meu e timbre de voz solto ou controlado.
Vem sorridente e dá logo o abraço, bota uma música e abre a janela. Vem cheia de histórias e de idéias, melhor mesmo ir pra longe.
E sabe, enche de forças olhar pro lado e não se ver tão só. Parece evidente essas meias frases, frases feitas e conhecidas. Tudo tão sabido e some as palavras pra dizer um "muito obrigado", seja por ter vindo ou seja por ser quem você é. Frases vem e vão e deixam na cabeça mais incomodo que papo de bar, desses filosóficos/existenciais, inteligentes mesmo são essas nossas conversas, que ligam lâmpadas na cachola. E mexem mesmo com fúria e deixa o pensamento ligado.
Eu digo "a" pensando em "b" e não é que ela explica que eu tô mesmo querendo "b".
Não é que ela me tira da inércia vulgar que eu entrei, me deixa ligado e faz reconhecer que eu tenho que ficar na linha - entendam, voltar a ter no peito os meus valores que ficaram nesse ritmo medíocre.
Hoje ela me deixou longe do café e de outros vícios, vimos o jardim, fomos no parque e reencontrei a parcela que me identifica, que me calibra e diz quem eu sou.
Aqui jaz de uma vez por todas a repetição dos dias!
Agradeço a todos que estiveram firme comigo. Obrigado!
E não é que ela estava certa. Com as conversas, metáforas e risos. Ela está certa.
Ainda bem que tem os domingos de dias ensolarados, ainda que tem as pessoas que guardam nossos passos com carinho. Se teve o domingo acuado no quarto, mergulhado no passado, tem o domingo em que vem gente, assim, que sabe cada traço meu e timbre de voz solto ou controlado.
Vem sorridente e dá logo o abraço, bota uma música e abre a janela. Vem cheia de histórias e de idéias, melhor mesmo ir pra longe.
E sabe, enche de forças olhar pro lado e não se ver tão só. Parece evidente essas meias frases, frases feitas e conhecidas. Tudo tão sabido e some as palavras pra dizer um "muito obrigado", seja por ter vindo ou seja por ser quem você é. Frases vem e vão e deixam na cabeça mais incomodo que papo de bar, desses filosóficos/existenciais, inteligentes mesmo são essas nossas conversas, que ligam lâmpadas na cachola. E mexem mesmo com fúria e deixa o pensamento ligado.
Eu digo "a" pensando em "b" e não é que ela explica que eu tô mesmo querendo "b".
Não é que ela me tira da inércia vulgar que eu entrei, me deixa ligado e faz reconhecer que eu tenho que ficar na linha - entendam, voltar a ter no peito os meus valores que ficaram nesse ritmo medíocre.
Hoje ela me deixou longe do café e de outros vícios, vimos o jardim, fomos no parque e reencontrei a parcela que me identifica, que me calibra e diz quem eu sou.
Aqui jaz de uma vez por todas a repetição dos dias!
Agradeço a todos que estiveram firme comigo. Obrigado!
E não é que ela estava certa. Com as conversas, metáforas e risos. Ela está certa.
domingo, 19 de outubro de 2008
Horário de verão
Pois é, parece que venho aceitando a magnitude e complexidade que é o tempo, saber rir entre suas aparições que é sabedoria.
Sei que nesse domingo eu pensei em colo, coisa típica de domingo. Pensei em sofá e esse dia nublado de cinza concentrado me deixou assim, querendo colo.
Querendo dedos que desafiem os fios do meu cabelo, mãos que brinquem com minha orelha e uma boca, pra rir das minha piadas ou conjecturas de realidades paralelas.
Rir do domingo sem graça e inventar qualquer absurdo pra não sair de casa e ficar cultivando essa coisa gostosa da gente. Ficar sem a TV e seus anúncios, ficar com um estoque de tranqueiras pra se comer e se enroscar mesmo que nem esteja tão frio, mas se enroscar pra nossa pele ficar em contato o máximo que der.
Eu quero dedos que desafiem os fios do meu cabelo.
Sei que nesse domingo eu pensei em colo, coisa típica de domingo. Pensei em sofá e esse dia nublado de cinza concentrado me deixou assim, querendo colo.
Querendo dedos que desafiem os fios do meu cabelo, mãos que brinquem com minha orelha e uma boca, pra rir das minha piadas ou conjecturas de realidades paralelas.
Rir do domingo sem graça e inventar qualquer absurdo pra não sair de casa e ficar cultivando essa coisa gostosa da gente. Ficar sem a TV e seus anúncios, ficar com um estoque de tranqueiras pra se comer e se enroscar mesmo que nem esteja tão frio, mas se enroscar pra nossa pele ficar em contato o máximo que der.
Eu quero dedos que desafiem os fios do meu cabelo.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
As tuas verdades são variáveis, reconheça.
E eu aqui, mais uma vez escrevendo bobagens.
Na vã tentativa de ser algo supremo, na vã tentativa de te cortar.
Que num passar de olhos repentino eu leve um pedaço de carne.
Tua carne.
Que ao dedicar média atenção nessas letras eu te consuma,
um segundo sequer, eu te possua.
E nos deixe assim banhados de sangue, do teu corte.
da nossa consumação.
Ao ver esse punhado de letras agrupadas eu te gele,
te leve as certezas e plante mil duvidas na sua cabeça.
E ao fim te deixe na poça de sangue,
com as mãos quentes e peito palpitante.
Ao fim, esqueça as suas verdades.
Perceba que existe mais rubro que imagina
e sinta esse gosto.
O gosto que me deu por tantas noites, Mocinha.
Na vã tentativa de ser algo supremo, na vã tentativa de te cortar.
Que num passar de olhos repentino eu leve um pedaço de carne.
Tua carne.
Que ao dedicar média atenção nessas letras eu te consuma,
um segundo sequer, eu te possua.
E nos deixe assim banhados de sangue, do teu corte.
da nossa consumação.
Ao ver esse punhado de letras agrupadas eu te gele,
te leve as certezas e plante mil duvidas na sua cabeça.
E ao fim te deixe na poça de sangue,
com as mãos quentes e peito palpitante.
Ao fim, esqueça as suas verdades.
Perceba que existe mais rubro que imagina
e sinta esse gosto.
O gosto que me deu por tantas noites, Mocinha.
domingo, 28 de setembro de 2008
Frio, Mais que nunca companheiro.
Tem crianças correndo,
segurando seus cata-ventos
Os comitês estão lotados.
Um domingo bem cedo.
As bandeiras cintilam ao vento.
os altos-falantes ensurdecem,
os santinhos voam pelas ruas.
E eu, meio criança com cata-vento,
meio militante em comitê,
meio orgulho de bandeira.
E eu, meio alto falante sem voz,
santinho inútil.
Um sorriso na foto, santinho inútil!
segurando seus cata-ventos
Os comitês estão lotados.
Um domingo bem cedo.
As bandeiras cintilam ao vento.
os altos-falantes ensurdecem,
os santinhos voam pelas ruas.
E eu, meio criança com cata-vento,
meio militante em comitê,
meio orgulho de bandeira.
E eu, meio alto falante sem voz,
santinho inútil.
Um sorriso na foto, santinho inútil!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Niilista sem bigode, sem sono, sem fome.
Quebrado.
Ao meio.
Sujo.
Malcuidado.
Todos na rua olham,
parece que para o tempo,
e seus olhos me perseguem.
Ficaria incomodado se isso fosse novidade.
Mas não, só é mais intenso.
Uns vão pra longe,
outros mudam de poltrona.
O clima em minha volta deve estar tenso,
negro.
Eu nem ligo. Se não estou correndo nas ruas
eu estou dormindo em ônibus.
Oh! Deus! Dormindo em ônibus
e ficando a uma da manhã escrevendo bobagens.
Se tornando um vício, terrível.
A bússola projetada na parede,
gira sem parar,
rodopia...
Cadê o norte?
Cadê a dama, o dinheiro?
Fica assim um ódio, mergulhado na fúria.
Frustração latente.
A carne some, meus ossos saltam.
Olhos sem descanço.
E respiro fundo.
Deixo de lado os pensamentos.
Fico assim, niilista sem bigode,
sem sono, sem fome.
Logo eu que sempre fui de acreditar, logo eu
Ao meio.
Sujo.
Malcuidado.
Todos na rua olham,
parece que para o tempo,
e seus olhos me perseguem.
Ficaria incomodado se isso fosse novidade.
Mas não, só é mais intenso.
Uns vão pra longe,
outros mudam de poltrona.
O clima em minha volta deve estar tenso,
negro.
Eu nem ligo. Se não estou correndo nas ruas
eu estou dormindo em ônibus.
Oh! Deus! Dormindo em ônibus
e ficando a uma da manhã escrevendo bobagens.
Se tornando um vício, terrível.
A bússola projetada na parede,
gira sem parar,
rodopia...
Cadê o norte?
Cadê a dama, o dinheiro?
Fica assim um ódio, mergulhado na fúria.
Frustração latente.
A carne some, meus ossos saltam.
Olhos sem descanço.
E respiro fundo.
Deixo de lado os pensamentos.
Fico assim, niilista sem bigode,
sem sono, sem fome.
Logo eu que sempre fui de acreditar, logo eu
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Slow motion
Lembrei da vez que escrevi uma daquelas redações "tema livre" na escola. Aliás deve ser a escola mais podre do mundo depois que eu ouvi de um professor que noventos reais não educa/forma um filho.
É. Escola não custava tudo isso. Acho que o governo gasta mais com um preso do que com uma criança na escola. Ah! nem sei, e não é disso que quero falar. Na verdade é só fugir do trabalho. E falar de uma vez que usava um cabelo tigelinha e tive noção que era capaz de escrever bobagens.
Foi um tanto engraçado olhar pra cara da professora. Na maior parte da minha vida escolar sempre fui um aluno mediano. Na média, saca? Talvez ela tenha ficado surpresa, pois é, ficou. Lembro perfeitamente da cara dela. Aquilo ficou gravado com perfeição. Diria que foi o primeiro sucesso da minha vida, ao menos que eu me lembre. Quem sabe ela teria seus 50 ou 60 anos, aguentando aquele monte de criança sem graça e sem jeito. Na maior parte do tempo ela carregava no rosto aquela boca meio "lua minguante", sempre pensava nas vias e na violência da vida que era capaz de deixar na escuridão um riso.
No dia era a tal redação, livre pra escrever. Ah! o processo criativo das crianças eram um tanto engraçado, precário, e confesso caia sempre na mesmice. Era gente que voava, que morria e voltava a vida e todas as bobagens normais de qualquer criança. Talvez até por isso nem se considere bobagem. Coisa de criança.
Mas naquele dia foi quase um triunfo do garotinho com seu cabelo "tigelinha". Ah! não. Foi um triunfo. Escrevi algo sobre uma praça, que deixou de ser praça pra ser um prédio de uma grande corporação. Sei que terminava tudo junto com uma arquitetura futurística e lembranças que deixaram de ser materiais. Lembranças que se esconderam no mundo das idéias. Claro que isso é um resumo desse cara que nem mais tem o cabelo tão "tigelinha" e confere alguns varios centímentros a mais na estatura.
Na próxima aula ela chamou um por vez na sua mesa, falar dos erros de português e tudo mais. Crianças tendem a ficar idiotas nesses momentos, ainda mais quando a professora não tem nenhum traço de hospitalidade.
Depois de ver várias folhas com rabiscos vermelhos, notas nada convidativas para mostrar para mãe, chegou a minha vez. Parece ter sido desligado daquele lugar. Foi estranho, antes de tudo olhei pra minha folha. Uma boa nota pra mostrar pra mãe e rabiscos vermelhos sim. Afinal não tinha largado ainda o tal costume de trocar em algumas palavras o "f" pelo "v".
Sentei na sua mesa e foi um instante singular. Uma ela tinha na face algo como uma leve descrença naquilo que tinha lido, talvez não esperasse aquilo de uma aluno daquela série. Vi também uma espécie de orgulho, como se ela teria contribuído para ter realizado aquilo. Tinha até certeza no seus olhos, e ela soltou um riso. Riso pra dizer que faz sentido. Faz sentido.
O melhor, ela soltou um riso.
No final ela soltou algo que tinha uma certa "maturidade" nada comum em crianças de "tigelinnhas" ou essas que berram verdades sem nem ao menos terem degustado da vida. Não que eu seja maduro, nem que eu um dia fui.
Mas eu lhe dei a surpresa. Um riso.
Mesmo com minha história triste. Isso que me deixou mais pensativo.
E o que cavou a minha mente e deixou bem claro em mim todas as suas expressões, deve ter sido o modo que eu trouxe essa vivacidade, que sempre esteve escondida.
E como depois ficou. Escondida.
Nunca mais vi seu riso. Só mesmo a boca "minguante".
É. Escola não custava tudo isso. Acho que o governo gasta mais com um preso do que com uma criança na escola. Ah! nem sei, e não é disso que quero falar. Na verdade é só fugir do trabalho. E falar de uma vez que usava um cabelo tigelinha e tive noção que era capaz de escrever bobagens.
Foi um tanto engraçado olhar pra cara da professora. Na maior parte da minha vida escolar sempre fui um aluno mediano. Na média, saca? Talvez ela tenha ficado surpresa, pois é, ficou. Lembro perfeitamente da cara dela. Aquilo ficou gravado com perfeição. Diria que foi o primeiro sucesso da minha vida, ao menos que eu me lembre. Quem sabe ela teria seus 50 ou 60 anos, aguentando aquele monte de criança sem graça e sem jeito. Na maior parte do tempo ela carregava no rosto aquela boca meio "lua minguante", sempre pensava nas vias e na violência da vida que era capaz de deixar na escuridão um riso.
No dia era a tal redação, livre pra escrever. Ah! o processo criativo das crianças eram um tanto engraçado, precário, e confesso caia sempre na mesmice. Era gente que voava, que morria e voltava a vida e todas as bobagens normais de qualquer criança. Talvez até por isso nem se considere bobagem. Coisa de criança.
Mas naquele dia foi quase um triunfo do garotinho com seu cabelo "tigelinha". Ah! não. Foi um triunfo. Escrevi algo sobre uma praça, que deixou de ser praça pra ser um prédio de uma grande corporação. Sei que terminava tudo junto com uma arquitetura futurística e lembranças que deixaram de ser materiais. Lembranças que se esconderam no mundo das idéias. Claro que isso é um resumo desse cara que nem mais tem o cabelo tão "tigelinha" e confere alguns varios centímentros a mais na estatura.
Na próxima aula ela chamou um por vez na sua mesa, falar dos erros de português e tudo mais. Crianças tendem a ficar idiotas nesses momentos, ainda mais quando a professora não tem nenhum traço de hospitalidade.
Depois de ver várias folhas com rabiscos vermelhos, notas nada convidativas para mostrar para mãe, chegou a minha vez. Parece ter sido desligado daquele lugar. Foi estranho, antes de tudo olhei pra minha folha. Uma boa nota pra mostrar pra mãe e rabiscos vermelhos sim. Afinal não tinha largado ainda o tal costume de trocar em algumas palavras o "f" pelo "v".
Sentei na sua mesa e foi um instante singular. Uma ela tinha na face algo como uma leve descrença naquilo que tinha lido, talvez não esperasse aquilo de uma aluno daquela série. Vi também uma espécie de orgulho, como se ela teria contribuído para ter realizado aquilo. Tinha até certeza no seus olhos, e ela soltou um riso. Riso pra dizer que faz sentido. Faz sentido.
O melhor, ela soltou um riso.
No final ela soltou algo que tinha uma certa "maturidade" nada comum em crianças de "tigelinnhas" ou essas que berram verdades sem nem ao menos terem degustado da vida. Não que eu seja maduro, nem que eu um dia fui.
Mas eu lhe dei a surpresa. Um riso.
Mesmo com minha história triste. Isso que me deixou mais pensativo.
E o que cavou a minha mente e deixou bem claro em mim todas as suas expressões, deve ter sido o modo que eu trouxe essa vivacidade, que sempre esteve escondida.
E como depois ficou. Escondida.
Nunca mais vi seu riso. Só mesmo a boca "minguante".
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Mudanças

O tempo vai indo, as rugas aos poucos vem brindando. A mão sempre denúncia. A pele se contorce.
Na verdade o tempo não vai, ele nos come. As vezes cospe e torna a comer.
Com esse gosto de relógio ensandecido eu acordei de manhã, me enchi de blusas e vi o sol estourar nas janelas e aquecer esse asfalto.
O mais estranho nem é estar sempre do lado das escolhas cretinas. É ver toda gente se ir. Todos irem.
Eu pensei Casa Blanca, eu pensei amor. Pensei em criança. E nas paredes que mudam de cor, como se tivessem lâmpadas.
Pensei nos momentos que dividi o tempo com todos, com as cores das paredes, com risos e com filmes. E nem o beijo "Casa Blanca" me restou.
No momento ficou uma cama, colchão sem lençol, armários vazios. A certeza do vazio devasta. Eu dou um tique na lista e penso "se foi". Com riso no rosto, assim meu peito respondeu. Respondeu aos risos da despedida. Feliz.
[...]
Nostalgia? Bobagem. Só é um gosto estranho.
Meus sinceros votos de sucesso, alegria. E de certo coloco as fichas e faço as minhas apostas e como sempre, e isso não é de propósito, minhas apostas divergem de todos.
Ah!
Tenho algumas coisas entre isso tudo, nesse caso uma janela gigantesca para eu encarar o Sol todos os dias. E isso também é bom.
Agora as paredes estão num amarelo latente.
E daqui a poucos minutos ou dias tudo já vai mudar.
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